Um novo blog!
Desde 2005 que o querido Maisumblogdamika funciona. Foram dois anos desenvolvendo dramas, expondo até a alma, falando com as paredes... Uma beleza! Mas graças ao bom Deus tudo evolui, inclusive os blogs.
Por isso eu resolvi mudar de endereço, mudar template, mudar tudo. Dá uma olhada:
http://blogdamilena.blogspot.com
Os textos e os dramas continuam lá. Obrigada a quem me acompanhou, apoiou, deu pitaco ou só ficou olhando de curioso. Agora vocês já sabem onde me achar.
Quarta-feira, Dezembro 19, 2007
Terça-feira, Dezembro 04, 2007
Parênteses
Foi com 16 anos que Maria Geralda teve seu primeiro filho. Depois, pegou gosto pela coisa e teve mais uns… vinte e dois! Em 1940 era assim, mulheres viravam verdadeiras fábricas de rebentos. De aventalzinho e bobes no cabelo, viviam para garantir a felicidade do marido e para cuidar bem dos herdeiros. Se bem que, convenhamos, de 22 herdeiros nem sendo do século 21 pra dar conta. E foi assim que, em meio às interpéries da vida, apenas 13 sobreviveram.
Pois não era nada fácil viver naqueles tempos. Muito menos sendo mulher. Mas a Geralda sabia bem das coisas e convocava os filhos mais velhos como babás. Cinco da tarde era hora do banho dos meninos; seis da tarde, banho das meninas. Sete da noite, hora de secar o dilúvio e tentar descansar. E com pequenas organizações assim, a vida seguia.
Já crescidos, cada um dos 13 sobreviventes tomou seu rumo. A maioria dos meninos foi pro seminário tentar virar padre, mas nenhum vingou. Algumas das meninas foram pro convento tentar virar freiras, mas nenhuma vingou (visto que tentaram instituir a calça comprida e a depilação para mulheres, sugestão totalmente inadequada). Uma pena, pois só com esta família a Igreja Católica ganharia colaboradores capaz de fazer uma paróquia inteira funcionar. Mas, como diz Geralda, por algum motivo, Deus não quis.
E eu sei qual o motivo. Aquele time de rebeldes da calça comprida só ia querer saber de fazer bagunça. Mas antes da bagunça (ou durante), eles fizeram filhos. E aí você faça suas contas para constatar, assim por cima, a bolada de primos que eu ganhei. Sim, porque um dos célebres filhotes era Dona Ana, minha mãe. E só nessa jogada aí se fez uma família enorme, digna de comercial de peru de Natal.
Sinceramente, não protagonizamos nenhum comercial ainda. Mas cada encontro nosso dava pra vender o bendito peru, cerveja, CD de samba e sucessos da jovem guarda, receitas, previsão das novelas, quilos de margarina, molho de tomate e qualquer outra coisa em que uma família grande e animada apareça curtindo muito o momento.
Mas nós não vendemos, porque a lei aqui é a da doação. Assim, em cada final de ano todo mundo se encontra pra doar sorrisos. É claro que, em tanto tempo, as coisas tendem a mudar. Hoje em dia, a primaiada está namorando, alguns vão trabalhar na véspera, aqueles motivos de sempre. Mas, mesmo com algumas ausências, a gente sempre esteve unido. Principalmente quando era melhor doar um ombro do que um sorriso. Isso foi quando a vó Geralda se foi.
Por aí tem gente que não gosta dos familiares distantes, gente que brigou, gente que não se vê há tempos. Tem gente que só manda um alô, gente que chora de saudade, gente que se abraça e dá as mãos ao redor do presépio. Eu realmente não sei definir bem a função de um parente.
Talvez pra muitos ela seja só essa aí, a de existir com um pouquinho de você - nem que seja aquele gene recessivo - perdido em algum outro lugar. Mas na minha vida, em que a redação é tão presente quanto eles, parentes sempre tiveram a verdadeira função dos parênteses: não importa aonde eu esteja, eu me sinto protegida, no meio de um grande abraço.
(Ou de trinta e poucos).
Quinta-feira, Novembro 29, 2007
Duvido que alguém, em sua sã consciência, não vá ficar feliz no último dia de aula. Ainda mais quando o último dia de aula significa pôr um fim numa monografia torturante e num stress desumano. É a conquista da liberdade, do sono dos justos!
Lá no anos primários nem valia a pena ir à aula na última semana. Os professores já estavam meio relapsos, quem tinha que repetir já repetiu (e nem aparecia mais, ao contrário dos CDF’s, que não tinham mais o que fazer e mesmo assim davam as caras) e o máximo que se fazia na aula era pintar a camiseta dos colegas com canetinha hidrocor.
Hoje, a bendita canetinha reaparece como vilã. E sua comparsa era minha mão direita, que, enquanto tremia, destacava os pontos principais da apresentação para a banca. Se você ainda não fez monografia, eu te digo: é o cão chupando (o caroço de) manga. Se você já fez, suspire aliviado comigo e repita: acabou. Fim das unhas roídas. Fim das noites em claro. Nota 10 na banca e tchau pra sempre!
Pois então, dona sandália Melissa fez sucesso das passarelas às bancas de monografia. Nada mais que a minha obrigação. Quem me permitiu entrar nessa faculdade e me formar foram algumas almas caridosas, e se não fosse por elas, não haveria nada disso. Ou seja, tudo isso é pra elas. O mínimo, pra mim, era não decepcionar.
Missão cumprida.
Ainda estou lidando com entrega de projetos e toda essa enrolação acadêmica. Em outras palavras, ainda não tenho tempo. Deu pra ver, né, quase um mês sem atualizar isso aqui! Meus dedos coçavam de vontade de escrever, e tudo o que eu podia escrever era a droga dos trabalhos!
Porém, há uma boa notícia: eu vou fazer um novo blog. E não, ele não se chamará "Mais um outro blog da Mika" :) Mas ficará mais bonito e eu me dedicarei mais.
Esse final de ano está muito cheio de coisas e vontades de mudança. Se Deus quiser, ainda tem muitas boas notícias pra vir contar aqui.
Quinta-feira, Novembro 01, 2007
Tudo menos eu.
Meu problema é que sempre pequei pelo excesso. Na carência, na doação, na atenção, na busca pelo inalcançável feedback: sempre um pouco demais. Sei lá qual a regra que essas pessoas usam pra saber onde é que fica o tal limite. O que sei é o seguinte: eu sempre o extrapolo. Mais do que uma rebelde sem causa, eu sou uma rebelde com motivações, e muito justas. Afinal, ser feliz é o quê, além de pretexto pra livro de auto-ajuda? E pra ser rebelde nem é preciso cortar o cabelo, tatuar uma caveira nas costas e decepcionar a própria mãe. Basta que se atinja um certo nível de inconformidade, e se lute contra ele. Nem que seja internamente, nessa sala clara em que, sozinha, minha voz ecoa mais alto. E tudo o que ela diz, na maior altura e indignação do mundo, é tudo o que eu ouvi a vida toda: “ um pouco menos, Milena”.
“Ame um pouco menos,fale um pouco menos, reclame menos pela manhã. Espere um pouco menos, complique menos, somatize menos. Pelo amor de Deus, Milena, menos tentativas. Menos linhas neste texto, menos ansiedade, menos expectativa. Menos palavras de amor, porque elas podem ter menos respostas ainda. Menos voltas ao passado, porque elas podem te fazer sentir menor do que você é. Menos entrega, porque ela pode não ter devolução.”
Menos tanto, que sobra menos de mim. E como alguém há de querer que um coração que vive demais se realize de menos? E aí eu sigo com meu oitavo pecado capital, extrapolando e incluindo somas nesse mundo que só faz subtrair. Tira um pouco de você, tira o dobro de mim. Vai ver é por isso que o meu excesso é tanto: na falta do seu, sempre vai sobrar do meu. Mas quem sabe com tantas sobras, eu me faça inteira algum dia.
Finalmente uma utilidade para a matemática, que nunca deixou de ser penitência.
Atualizando o cotidiano III
Ah, eu sei que o texto aí tá um tanto quanto deprê, mas fala pra mim: tem como manter o bom humor às vésperas da entrega da monografia? Só bebendo! E como eu não sou bebum, ando vivendo minha vida de zumbi que dorme todos os dias às duas da manhã. Não sei se contei aqui, mas meu tema de TCC é a Melissa. Apesar da corrida contra o tempo, está sendo uma delícia fazer. É impressionante como uma sandália de plástico - gente, plástico! - se tornou esse objeto conceitual. Afinal, Melissa não tem cara de sapato, tem? Ela pode ter cara de uma porção de coisas, mas não de sapato. É o poder da publicidade! (e do marketing, tá bom) :)
Gosto muito da marca e de vários modelos, mas sofro horrores pra usar, sempre machuca meu pé de um jeito terrível. Conformada, o único jeito de usar Melissa que encontrei foi como tema de trabalho. E acabou.
Falando nisso, vou voltar pro trabalho. Tenho que criar o primeiro de uma saga de cartões de Natal que, nesta época, aparecem aos quilos nas agências. Noite feliz uma ova.
Terça-feira, Outubro 16, 2007

Sobre pedras e passarinhos
Se você disser para um passarinho que ele nasceu para voar, provavelmente ele não ficará supreso.Com a delicadeza e polidez que só os passarinhos possuem, responderá que há anos já sabia disso, e que este fato – o de saber a quê veio ao mundo – o fazia bem.
Se disseres para uma pedra que sua função é a de permanecer parada e impermeável pela eternidade, conformada com o fato de que talvez – e apenas talvez – alguma chuva ou pé humano a troque de lugar, a reação será parecida. Provavelmente ela será um pouco dura, mas te dirá que já sabia disso. E que ela, assim como inúmeras outras criaturas, têm sua visível e eloquente missão. Que se sentem bem com tamanha obviedade, porque é mais seguro e sensato viver em um mundo onde as coisas fazem sentido.
Mas por que eu, tão representante da espécie, tão humana para os humanos quanto um passarinho é para os passarinhos, ainda não me conformei com a minha função? Porque a minha função é me render. E a rendição é uma piada. Suja e mal contada.
Faça o favor, “se render” não entra sequer em lista de resoluções de ano novo. Não cabe em livros de auto-ajuda, não exerce o direito da lógica. Só cai bem em contratos ingênuos de sociedade, em que um sempre dá no pé e o outro sempre dá no prejuízo.
Mas se você vier numa tarde dessas dizer que fui feita para me render, eu não vou ficar surpresa. Assim como para pedras, passarinhos, flores e nuvens, ouvir minha função depois de tantos anos soará um pouco óbvio. Mas se render é coisa para vítima de assalto. É propósito de gente sem propósito. Coisa de gente que ama sem medida, e amar sem medida é tomar xarope de cereja aos litros: bom, mas não faz bem. Rendição é assunto para fracos, para sonhadores, para os deficientes do bom e velho orgulho. É coisa de gente que ficou com um coração tão vazio, mas tão vazio, que cabe uma pessoa inteirinha ali.
E apesar dos pesares, esta é a minha função. O que me conforta por me dar um propósito, mas me judia por nunca fazer sentido. É o trabalho que eu mais sei fazer no mundo, mas que, inacreditavelmente, nunca consegui ensinar pra ninguém.
Vai ver eram pedras. Ou, sei lá, passarinhos.
Terça-feira, Outubro 09, 2007
A última palavra.
Semana passada estávamos eu e a Luana aqui na agência trabalhando quando, por volta das 4 da tarde, um enorme barulho louco de avião entra pela janela. Com esse monte de problemas aéreos pipocando pelo país e visto o drama pré-instalado em nossas mentes femininas, a primeira reação foi a de pânico. Por um minuto, pensamos que o tal avião estava caindo aqui por perto, e teve toda aquela correria cadeira-janela, só pra constatar que eram só as estripulias da Cia da Fumaça ou coisa do gênero.
Mas até aí tudo bem, são perrengues corriqueiros da vida urbana. Só que, ao voltar para a minha cadeira, esses meus pensamentos ilusórios me fizeram imaginar a tragédia que poderia ter acontecido. Sim, o avião poderia estar realmente caindo e poderia cair justo aqui. E eu não sou neurótica, juro. Mas a grande sacanagem não seria isso. A grande sacanagem seria morrer e ter como as últimas palavras, aquelas que eu levaria pra vida eterna, a sensacional frase: “mas eram mesmo 22 ovelhas?” – E bum, tudo termina.
Obviamente, eu não lembro qual era o meu assunto das 22 ovelhas. E poderia ser pior, vai que eu terminasse a vida com um sonoro palavrão. Ok, eu sei que a probabilidade de alguém ouvir meu último clamor seria bastante remota, principalmente se fosse em meio a tal tragédia, mas não custa atribuir certa importância ao fato. Vai que alguém ouve e resolve colocar ali, no túmulo, pra todo mundo ver? Vai que os jornais, atônitos, perguntassem aos sobreviventes “e quais foram as últimas palavras da garota?”. No mínimo me achariam um tanto quanto prolixa, ou eu incitaria uma curiosidade arrebatadora em meus pais, que provavelmente rodeariam meus pertences com 22 ovelhinhas de pelúcia, a fim de agradar o espírito.
Confesso, também, que a cautela exagerada com nossas últimas palavras seria bastante cômica. Imagine, em meio a qualquer situação perigosa, de morte iminente, todas as pessoas declamando poesias, frases de efeito e letras de músicas marcantes, pra fechar o percurso com chave de ouro. Certamente, um assaltante se irritaria bastante com uma vítima que repete incessantemente as palavras de Paulo Coelho. Por outro lado, morrer repetindo sua música favorita seria morrer feliz.
Mas o problema é que a gente nunca sabe quando a danada virá, e segue falando cada vez mais besteira. Não é sempre que a dita cuja chega anunciada com barulho de turbinas, e pouquíssimas pessoas realmente têm o privilégio de arranjar tempo para repetir o célebre “adeus mundo, adeus céu, adeus flores, ad.. “(foi).
Vamos então contar com a sorte. Se bem que sorte é o que menos existe num momento como esse. O incontestável é que todo mundo tem a última palavra na sua própria vida. Dita, cantada, proclamada, sentida, expressada por meio de gestos , desenhos ou doutrinas do Paulo Coelho. O seu trajeto e o que fica é você quem diz.
Terça-feira, Outubro 02, 2007

6 bilhões de pessoas no mundo. Não é de se admirar que, mesmo em vão, haverá um momento em que você sentirá a vontade de ser especial, nem que seja de leve. Afinal, no meio dessa gentarada, só se dá bem quem tem seu merecido destaque.
Bem cientes disso, o serviço de orkut, fotologs (e, claro, blogs) possibilita o estrelato à vasta população anônima. Alguns se beneficiaram, outros insistem com seus pequenos blogs, e tem a galera da velha guarda que vive bem porque não vive disso.
Não tenho como meta de vida virar ícone cibernético, tanto porquê, computador já é quase um novo órgão do meu corpo de tanto contato que temos, e o que eu mais queria era um certo descanso dele. Meu intuito aqui é escrever, ou qualquer coisa parecida com isso. Porém, humana que sou, também procuro arrumar minha vitrine. E nada melhor que um belo de um aniversário como pretexto. Aliás, hoje é meu aniversário.
Assim, independente das percepções alheias ou do que o júri popular classifique como "ser especial", eu vou te dizer alguns dos meus fatos especiais nessa vida e explicar uns poucos motivos que me fizeram chegar aqui com bom humor, amor e 23 anos nas costas.
- Eu já ganhei uma corrida de velotrol (ou velocípede) aos 2 anos. Sem pedalar.
O orgulhinho da mamãe roubou feio na competição. Arrastei minha motoquinha com os pés no chão e pronto, ganhei o prêmio. Nenhum bebê reclamou, pelo menos não aqueles que já sabiam falar.
- Aprendi a ler, escrever e falar em inglês traduzindo músicas de boybands.
Não subestime o verdadeiro poder de Backstreet Boys e companhia. É claro que depois de dominar o dialeto, procurei explorar outras áreas (ou estilos musicais). Do contrário, só saberia manter conversas baseadas no “come back to me”, “I will never let you go”e frases-chavão do gênero.
- Alfabetizei a minha irmã.
Não que ela gostasse de brincar de escolinha, mas sempre fui muito insistente. Pegava as cartilhas velhas, a lousa pequena e colocava a Natália na frente. Quando entrou no pré, a menina já sabia até separar-sílabas. Desde então, virou menina prodígio. Assim, brincando.
- Todo ano, 3 entre 100 mulheres ficam grávidas tomando pÌlula. Em 1984, uma das três foi minha mãe.
Imagina como é legal ouvir os discursos sobre proteção anti-conceptiva decorrentes deste fato.
- Mais um dia no útero na mãe e eu não nasceria (e a vitória da pílula não valeria nada).
Diz o doutor que teve que obrigar a minha saída. Quando saí, nem havia mais o líquido amniótico, só um bebê preguiçoso. E aí tudo se explica.
- Depois, quase fui trocada na maternidade por um bebê chamado "Maria Elisa".
Dando continuidade à saga do nascimento, só fui salva por causa do “instinto materno” da minha mãe. E cá pra nós, claro que ela notaria a falta dessas bochechas gordas.
- Diante das dificuldades, escapei do nome “Vitória” driblei o “Joyce” e hoje tenho este sensacional nome de margarina de milho.
Eu gosto de “Milena”, apesar de soar meio anasalado. Veja bem, há nomes muito piores. Só sofri mesmo quando saiu a margarina Milhena, aí foi o fim.
- Fiz 4 anos de piano e 5 de balé. Hoje não sei tocar nem "parabÈns à você" e tenho a postura do QuasÌmodo.
É que são artes infiéis. Parou de treinar, elas não fazem mais nada por você. Por exemplo, se eu falar que também fiz pintura e judô, ninguém acredita. Às vezes, nem eu.
- Uma vez me chamaram pra sair na Capricho porque fiz um site pessoal. Na revista, saí como comerciante mirim de fotos de artistas.
Manobras editoriais, vai entender. Eu nem liguei, visto o estrelato instantâneo. Inclusive a do DiCaprio tá saindo 1 real.
- Já apresentei o Disk MTV do lado da Sabrina. E de mais 13 pessoas.
Foi no aniversário dela. Fui visitar a MTV justo no dia e enfim, lá estava eu (e um monte de gente).
- Escrevo diários desde os 8 anos. Todos os dias. Uma saga completa, que vai desde o dia do dente de leite que caiu até minha atual vida de robô.
Confesso que ultimamente o sono e a falta de tempo me fazem evitar as folhas. Mas sério, é uma terapia incrível.
- Você sabia que existe uma pessoa no mundo que não sabe fazer careta? Eu.
Há, e você pensando que era a Sandy!
- Não há um óculos de sol que fique bem no meu rosto.
Acredite, eu procurei.
- Eu não tinha muita sorte no amor. AÌ eu conheci o Fernando.
Neste momento eu tenho uma vontade louca de rir muito de todo mundo que me dizia “Milena, você é muito exigente, nunca vai achar alguém que te trate como você espera”. Viva as guinadas da vida.
- Não tenho tatuagens, nem piercing, nem franja.
Nem quero ter. E juro, de verdade, que vivo neste planeta.
- Já foi comprovado cientificamente que eu falo muito mais palavrões no frio. Dá pra imaginar o porquê?
Porque tremer incessantemente deixa qualquer um de mau humor.
- Eu cantava antes mesmo de saber falar (minha mãe me ouvia murmurando músicas da escolinha).
Depois que aprendi, o sindicato dos ouvidos anônimos solicitou, educadamente, que eu tentasse outro hobby.
- A primeira história que escrevi serviu de prova escolar na minha sala do primário.
É que naquela época não tinha blog, entende..
- Esfrego um pé no outro pra conseguir dormir. Funciona.
Mas o que é “dormir” mesmo?
- Quando vai chover, aparece uma mancha roxa no meu nariz .
Há várias testemunhas e nenhuma explicação.
- Um velhinho já me bateu na rua.
Também não sei dizer o por quê. Talvez tenha visto o demo em mim.
- Tenho alergia a leite.
Mas não a DOCEDELEITE! :D
- Eu tenho pouquíssimos amigos verdadeiros, da categoria boto-a-mão-no-fogo.
E nenhum inimigo confesso :) (e se tiver, na boa, que se dane).
- Eu tenho sorte e já ganhei um monte de tranqueiras no bingo.
Dinheiro que é bom…
- Caio de maduro bastante.
Aproveito para solicitar uma repavimentação das calçadas de Florianópolis, levando em conta a quantidade de mulheres que usam salto alto e precisam manter a elegância no caminhar.
- Já fui pros EUA duas vezes. Em vez de fazer compras, ficava brincando no carrossel.
Sim, Calvin Klein e Armani em promoção. Inacreditavelmente, rodar parecia mais interessante. Só pra constar: meu sistema de valores não mudou.
- Mudei de São Paulo para Florianópolis há 6 anos.
E depois de 6 anos, ainda não me acostumei.
- Minha cara fica gorda na TV
Na verdade, fica em qualquer lugar.
- Minha família tem a deliciosa tradição de acordar o aniversariante com um café da manhã especial e cheio de guloseimas na cama!
Definitivamente, são as pessoas mais especiais do mundo. Por causa deles, e de amigos tão queridos, eu sigo agradecida, tranquila, descomplicada e adorando a vida. Umas 23 vezes mais feliz, no mínimo.
Segunda-feira, Setembro 24, 2007
Comecei minha monografia dizendo que por sua causa eu sei que anjos da guarda realmente existem.
Os motivos dessa frase não caberiam num texto, muito menos na imagem clichê de anjos com auréola e batas brancas, que saem voando por aí com nossas razões para acreditar neles. Os meus motivos são concretos, estão aqui em baixo comigo, e não voam.
E eu tenho muita sorte por eles não voarem. E muita sorte por conhecer alguém que, por unanimidade, é tão fora do normal.
Afinal, não é normal fazer o bem de graça. Não é normal a doação e a dedicação quando tudo o que você sabe que ganhará em troca são olheiras cansadas no dia seguinte. É absurdo ajudar quem você mal conhece.
Mas a sua anormalidade existe, e é por causa dela, que eu insisto tanto em ser anormal também.
E aí você entra na livraria e vê milhões de livros céticos, com doutrinhas polêmicas que vão deixar uma pessoa rica e milhões de pessoas descrentes. Sai na rua e vê pessoas em situações mais baixas que o próprio chão. Você abre o jornal e vê tudo indo pro lado contrário, tudo doendo, tudo vazio. Tudo sem uma mínima razão pra te fazer acreditar.
Mas você acredita. E isso é perfeitamente anormal.
A semana passada foi muito difícil. Eu, que sempre sempre fui rodeada de carinho e proteção, me vi tendo que dar colo para os meus próprios pais.
E eu te digo, pais podem pesar muito no colo de um filho. Tanto porquê, a força de um filho pode ser pouca e nunca será suficiente para convencer pessoas com tanta experiência de que o monstro no armário não existe.
Mas você me ajudou a segurá-los. Você uniu minhas mãos e, num quarto tão escuro, acendeu aquela luzinha. A mesma que me fazia dormir mais tranquila, a mesma que fez eles se tranquilizarem. E isso também é anormal.
Tão anormal quanto aquela vez em que, no meio da noite, você ligou música no quarto e me acordou para dançar balé. Ou quando fugiu comigo de São Paulo para Santos e me fez ligar de lá pros meus pais dizendo que eu estava na beira do mar. Anormal do jeito engraçado que você arranjava para acenar (com os pés) e me fazer parar de chorar porque ia embora do seu ladinho. E tão anormal quanto as vezes em que você me fazia cantar ópera bem alto no metrô, só porquê lá fazia eco.
Eu tenho certeza, não é normal. Ninguém vive em alguém com tanta presença. Se naquela época eu era uma criança descobrindo o mundo, hoje que eu descobri o mundo, sei que a criança ali também era você.
Vim para o trabalho e sentei na minha mesa de redatora, com o meu teclado de redatora, lembrando que só quero ser redatora porque quando eu tinha 7 anos, escrevi uma historinha que te fez acreditar que eu era boa naquilo. E o seu enorme entusiasmo me fez querer acreditar também.
E percebe? Você continuou me fazendo querer. Querer fazer melhor, ser melhor, ir além, emudecer preconceitos, curtir detalhes, colorir o dia, tornar possível, ser totalmente anormal. Doida mesmo, louca varrida. Completamente contra essa porcaria de valores que te puxam a cada dia cinza e que, se não te fazem sentir ingênua, te fazem sentir culpada.
E foi assim, me dando bons motivos pra existir, que você me provou que anjos da guarda realmente existem. E sabendo que existem, pude me cercar de pessoas tão anormais como você. Anormais na maneira de amar, de ser e de me surpreender com um amor anormal pro mundo, mas perfeitamente normal pra mim.
Obrigada por tudo. Te amo demais.
Da sua sobrinha, afilhada, amiga e admiradora.
Dica da semana: Vão ao Cirque du Soleil. Vale muito à pena. Os ingressos mais baratos são acessíveis, estudante paga meia, e vale cada centavo por tanta coisa linda que você vê e sente lá. Acho que o nome desse show atual deles (Alegría) não poderia descrever melhor.
Aliás (há), a viagem pra Curitiba foi uma delícia, uma sobremesa pra esses dias de tortura e trabalho. Perfeita em tudo, principalmente pela companhia :o)
E esse texto aí de cima foi uma tentativa de agradecer à tia Graça por ter uma alma tão bonita e inspiradora. Eu nunca conseguiria agradecer completamente, mas eu tento, porque amor aqui é o que não falta.
Terça-feira, Setembro 11, 2007
Adversário
Legal era quando tinha a festinha do sorvete, da Turma da Mônica, da moranguinho. Quando havia uma mesa enorme, com um bolo enorme, e rodeada de balas e crianças.
No centro, imponente e vestindo pouco mais que um vestido de babados e chapéuzinho pontudo, está a razão e o porquê de tanta algazarra e palminhas ritmadas: você, minha criança, só você. E o destaque era seu, o show de mágica era seu, e no final do dia aquela cama repleta de presentes pra você nadar era só sua. Pois bem, era.
Agora, contemple a situação presente. Retire cuidadosamente da cena os balões coloridos, a vela piscando em formato de número, o granulado espalhado na forminha. Exclua as luzes, o sucesso da Xuxa e aquela atmosfera mágica que rodeava a data: meus parabéns minha pequena moça, o escritório te deseja sucesso!
Um e-mail aos funcionários anuncia a ocasião. Colegas oferecem apertos de mão enquanto o celular apita em certos momentos com mensagens de amigos. O Msn pisca. Já decidiu se vai ser pizzaria ou barzinho? Na hora do almoço, pelo menos, escolha um lugarzinho especial. Ok, no shopping, que é o mais longe que dá pra ir à pé do trabalho. Sete da noite você já estará em casa, na correria pra que o dia, o seu dia, não acabe tão cedo. E, enquanto você se diverte ao redor de pessoas queridas, ele lentamente irá embora, como todos os outros, mas levando alguma coisa que é sua.
Ah sim, a idade. De 22 pra 23, tremendo progresso. Na verdade, houve e muito, mas esse negócio de balanço de aniversário já tá pra lá de brega. Se bem que seria até útil reafirmar virtudes pra você mesma, o motivo pelo qual algo tem que ser comemorado. Comemorar a existência? Sejamos francos, já foram mais de duas décadas disso. Comemorar a maturidade? Deus sabe que crescer intelectualmente me deixa dúvidas sobre suas reais vantagens.
Um mês era o tempo necessário pra que sua mãe dedicada planejasse a festinha, contratasse filmagens e preparasse uma festa capaz de escancarar pra você que todos estão felizes, pulando e rodeados de docinhos por você continuar seguindo.
Agora, meu bem, contrate você a trupe animadora. Trate de programar a festa, motivar pessoas ocupadas com seu dia-a-dia morno e preparar-se sozinha para receber com entusiasmo a abençoada data. Procure não obrigar-se a ter um dia bonito, mantenha o bom humor mesmo se chover um dilúvio. Divida a pizza e responda educadamente as mensagens no Orkut. O dia será seu e é de sua total responsabilidade fazê-lo ser feliz. Fada madrinha, colega, era só enfeite de parede.
Dois de outubro chega daqui a praticamente um mês. O tempo continua colocando anos nas minhas costas e eu continuo achando um peso. Fazer feliz um dia meu? Oras, isso eu faço todo dia. Mas o show de mágica, ah, realmente, esse é só no aniversário.
Terça-feira, Setembro 04, 2007
Pra falar de amor
Eu te chamei aqui porque queria te falar sobre grandeza. Mesmo mal te conhecendo, sofria de uma urgência de falar sobre o quanto eu aprendi nesses anos, o tanto que eu carreguei de bagagem, como alguém que volta de uma viagem cansada, mas ainda tem força pra mostrar as fotos. Eu te chamei, disfarçando essa inocência com algum conhecimento adquirido ao longo do tempo. E ostentando um resquício de orgulho,exibi meus valores, princípios e tudo aquilo que me fazia pensar ser uma mulher muito vivida.
E você respondeu com silêncio. Um silêncio de alguém que escuta, atento, a uma informação que na verdade poderia continuar não dita, mas sabe-se lá o por quê, naquele dia era algo que te importava. Dedicado em interpretar cada palavra, gesto e tom de voz, você me deixou falar. Quando ninguém mais no mundo me ouvia.
Eu te puxei pra cá porque queria falar de tristeza. Como uma criança que acabou de cair da bicicleta, eu vim correndo te mostrar o machucado. Exposto, ardendo, fazendo companhia a uma porção de cicatrizes. E, mesmo sabendo que ele, assim como todos os outros, iria fechar com o tempo, eu quis que você olhasse. Eu contei minha novela triste, aumentei o teor do drama. Me fiz vítima, entregue, cansada.
E você, outra vez, respondeu com silêncio. Esse silêncio confortável, um que existe enquanto a minha cabeça encosta no seu ombro. Um silêncio que cuida, faz o tempo passar, diz mais do que qualquer conversa de regeneração. Preocupado em fazer o resto do caminho valer à pena, você colocou um abraço ao meu redor, e eu voltei a pedalar em segurança. Quando já achava que nem tinha porquê seguir.
Eu te fiz ficar porque queria falar sobre alegria. Queria te contar do quanto ainda me admirava descobrir algo tão doce, quando todos os doces já me pareciam amargos. Eu quis te falar do sol que eu vejo mesmo quando fica nublado, do tanto que o meu peito se aquece mesmo nesses dias de inverno. Quis avisar do quanto o tempo me surpreende, de como o contraste da vida aumentou, do quanto cinco dedos entrelaçados aos meus fizeram tudo ser possível.
Você me abraçou e me fez dançar no quarto. Riu dos meus defeitos e me comprou um guarda-chuva novo. Me acordou com café da manhã na varanda e descobriu a melhor maneira de abraçar alguém enquanto dorme. Extrapolou a minha probabilidade de sorrisos e preencheu o predicado de tudo em que hoje eu sou sujeito. Inspirou, acolheu, fez melhor e falou o que sempre precisei ouvir. Uma resposta sincera, completa, inédita.
E aí fui eu que calei.
Porque quando não sou eu que falo, quando o meu coração palpita e eu calo, é você que fala em mim.
E quando a gente fala junto, quem se cala é o próprio mundo,
pra ouvir falar de um amor sem fim.

Obrigada por estes 7 meses, amor. Eu nem imaginava que poderia ser feliz assim.
E vocês, leitores, conheçam o blog do Fernando Cabral, um moço que além de ter talento pra me fazer feliz, tem talento pra escrever:
http://www.naoseiquenomedarpromeublog.blogspot.com
(aproveite e sugira um nome pro blog dele!)

