Domingo, Maio 28, 2006

A dura realidade dos fatos é que ninguém é obrigado a entender a profundidade que certas coisas têm pra mim (seempre assim..). Muito menos a assumir algum interesse por elas.
Pelo menos algum que transpasse o limite da curiosidade. Que vire envolvimento.
Eu insisto.
Prometo a mim mesma um certo triunfo. Depois de todos os murros, o nocaute certeiro. Pra fazer toda essa intensidade valer a pena para mim de alguma forma.Só para mim.
E pra quem arriscar se envolver, claro. Se envolver muito. Mesmo.
Bom mergulho.

Quarta-feira, Maio 24, 2006




Se querem saber, a única vez que a Rede Globo fez algo realmente bom por mim foi a seguinte:


Num passeio por um shopping de São Paulo, parei naqueles quiosques do Mc Donald's pra pedir a típica casquinha mista. Ali, na minha frente da fila, estava um repórter bem famoso, que apresenta o "SP Já" -(e que nem é tão famoso assim, senão eu lembraria o nome do sujeito).

Na hora de pagar, por se atrapalhar com microfone e carteira (ele estava gravando reportagem ali), deixou cair uma moeda no chão.
Aí eu resolvi fazer um momento "orgulhinho da mamãe" e, muito educadamente, peguei a moedinha pro rapaz.
Muito no clima "Criança Esperança", ele me olha, sorri pra mim, e diz: "pode ficar" (piscadela típica do velhinho maroto).


Agora, vamos pensar juntos.
Ou o cara quis ser bonzinho, ou ficou com dó da minha cara de "se eu tivesse mais dinheiro, comprava um McMix".
E nem venha com "mika, ele gostou de ti". Ué, se era interesse mesmo, o cara não tem a mínima manha da conquista e tem a idéia tremendamente errônea de que pode ganhar mocinhas com moedas.


Eram 25 centavos. Estão guardados até hoje.
Não, não é pela tietagem.
É pra, todas as vezes em que eu notar uma apologia política, um falso-moralismo escancarado, uma mídia alienante carregando milhões de pessoas no colo, vou poder parar e respirar aliviada:

"Me rendeu 25 centavos".


Porque é o que nos resta hoje em dia. Nos contentar com pouco. Mas tá, a gente finge que não vê.




Ass: pré-publicitária um tanto quanto inconformada. E que ainda acredita numa certa liberdade de opiniões. (ingênua pra caramba, essa Milena!)

Domingo, Maio 21, 2006




Gente, tá ficando monótono.
Se antes era piegas, hoje tá tão previsível quanto o roteiro da novela da Thalia.
Bonito, lindo. Até o último capítulo.
Depois, vai saber, o mocinho chega em casa e encontra a ruiva cheia de atributos rolando com outro. "Não leve o personagem pra cama", bem lembrado.
Melhor, não leve a realidade pra cama. Deixe ela lá, bem bonita de cinta-liga emanando o mais entusiasmante dos sentimentos. O fogo da paixão queimará a casa toda e depois sobrará o que? Um extintor muito bem utilizado nas mãos daquele que já se sufocou com a fumaceira toda.
O homem cansado, ex-ator, que lembrará bem da cena onde pega suas coisas e vai embora. Ou mesmo a tal ruiva, desiludida da vida, segue com seu carro para uma vida independente, deixando o galã traidor com o cachorro. Eles se lembrarão, ao barulho da claquete, que são pessoas normais.

O amor é lindo, eu concordo. Mas anda meio banal. Banalizado, coitado. Não só nas lágrimas da que foi traída tão cruelmente na novela das seis: notem, o script anda meio programado.
Posso até botar uma roupinha aqui de Mãe Dinah e brincar de vender uns conselhos previsores. Ganharei muito dinheiro e adeptos.

Acho que a gente gosta de dramatização. O mesmo cara que está lá no bar todas às sextas-feiras chamando qualquer criatura dotada de seios que se locomover de "nossa senhora", de repente se vê envolto em um primeiro amor e opa! Vira Drummond.

Ao entoar seus inúmeros sonetos de fidelidade e amor real, nem passará na cabeça da amada o passado negro de seu adorado. Ela seguirá constante e crente naquela obra-prima Hollywoodiana que hoje protagoniza sua vida. Melhor, ela será a estrela daquele tão novo e fiel diretor.
E de repente, "não mais que de repente", ao primeiro sinal de carne e ossos, o príncipe já não tão encantado, voltará para o seu castelo inicial, rodeado de cervejas e bundas.

É necessário um amor que veja defeitos. Que brigue, que chore, que entenda que perfeito é só aquele que permitiu que isso entre vocês acontecesse. Vocês dois são meros bonecos do acaso, movidos por um sentimento. Deixa Deus mexer os personagens, faz você a sua parte e deixa a propaganda pros seus filhos.
Não perca o melhor que a realidade tem a oferecer.

Eu sou (muito) a favor da declaração de amor. Do papel de bala com cantada, à faixa na frente de casa. Gosto demais de sentimentos em palavras e mais ainda de palavras em gestos. Mas, pelo amor de Deus (e de você mesmo) lembre-se que propaganda enganosa dá processo.
O preço quem pagará será você mesmo.Somando os custos de toda aquela produção cinematográfica o total será de.... um drama desnecessário. Uma ferida maior do que realmente é. E a advogada de defesa, cadê? Fugiu com o ex da ruiva.

Não adianta vender um trailer bombástico para um filminho água-com-açúcar.
Teoria válida também para os filmes no maior estilo "cinema fogo de palha" ou de script previsível. Reinventar no amor também é tática de sobrevivência. Preservar a intimidade de vocês, idem.

Se tem uma coisa bem aprendida aqui é que cão que morde, não ladra, ou pelo menos não faz escândalo. E olha que posso até me contradizer em certos pontos, mas entendi bem a diferença entre uma declaração e uma propaganda de amor.
Pois bem, amor não se vende. Na insistência, vire roteirista e seja feliz com os lucros. Ou arranje um amor verdadeiro e viva-o, que é bem pra isso que ele serve.




Terça-feira, Maio 16, 2006







No dia das mães também foi aniversário do meu pai. Eu tenho essa mania de sempre abrir o coração e escrever pra eles nessas datas comemorativas.
Quem sabe, sabe (ou imagina) que o relacionamento entre nós dois é complicado.
Essa situação aqui foi a mais difícil. Engoli à seco esse incômodo e tapei meus ferimentos com esse curativo chamado amor. Eu continuo tentando.
Pensei em não fazer, mas fiz: resolvi dizer o que eu queria pro meu pai. E, antes que o desespero tomasse conta, a fé em nós dois foi maior.
Eu não sei por quanto tempo a anestesia vai durar. Só sei que vê-lo emocionado e me abraçando agradecido foi tudo o que eu precisava pra me sentir uma filha amada. É, do jeito que eu sempre esperei :)


O texto que eu entreguei pra ele foi esse aí:



"Fortalezas não foram feitas pra serem quebradas.
Pedra sob pedra, foram construídas para que ninguém as atravessasse.
Com cuidado, pra que ninguém pudesse ver o outro lado.
Simplesmente porque do outro lado vive o frágil. Vive o vulnerável, vive o que pulsa.
Lá dentro, depois da fortaleza, vive o que nos faz humanos.
O que, às vezes com muita dificuldade, lutamos pra não deixar explodir, não escapar.
Pra não ultrapassar a fronteira.

Não importa quantos muros foram erguidos. O mais alto ainda não seria suficiente.
A proteção que se busca aqui é a total. A que, com a maior segurança, mantenha os riscos longe.
E mantenha o equilíbrio dentro. Com todos os seus defeitos e exageros.

A nossa essência e o nosso mapa vivem ali, envoltos por um lacre difícil de abrir.
Com acesso restrito, explicações resumidas, com o pouco que devemos de satisfação a quem é de fora.
As portas só se abrem quando permitimos. Ou quando, num olhar perdido ou num suspiro triste, deixamos escancarar.
Tão logo percebemos o esquecimento, elas se fecham. E voltamos a ser a fortaleza que somos.
Fortes, resistentes, invulneráveis. Inquebráveis, pelo menos aos olhos de quem vê.

O meu pai é uma fortaleza.
Assim como a maioria dos pais, deixou que a experiência o envolvesse.
Construiu sua vivência em cima de consequências nem sempre boas.
Montou sua armadura e protegeu-se por um exército bem treinado. Um exército chamado sabedoria.
Levantou os muros do seu castelo e domou cavalos para que o guiassem. Por dentro e por fora da fortaleza que é só dele.
E seguiu como rei que é, colorindo seu próprio reino com os tons que saíssem de si.
À vezes se fechando, à vezes saindo pra respirar.
Enquanto ele estivesse lá dentro, estaria bem.

Dia desses eu resolvi escalar o muro. Sem ele perceber, distraí o dragão da porta.
Enquanto ele não via, contei as manchinhas na sua mão. Eu vi cada detalhe do seu rosto cansado.
Notei a fé que ainda existe naqueles dois braços fortes. Notei aquilo que me faz tão igual a ele. E assim, quase sem querer, descobri a senha da fortaleza.

E entrei, com o corpo machucado pela subida difícil.
Porém, com a mesma vontade que o sangue que corre aqui dentro contém.
E o que eu vi, justificou cada pedra daquele muro.

Eu vi um menino. Ví flores, ví memórias, ví o coração mais forte do mundo.
Vi feridas sendo cicatrizadas, ví o sol ganhando a batalha contra as nuvens mais carregadas.
Vi a minha família. Percebi cada gene que nos constitui e agradeci a Deus pelo resultado.
Eu vi o homem que o meu pai é. Vi um exército trabalhando pelo bem.
E, com o orgulho transbordando, só me restou parar o percurso e descer de volta.
Deixar o que é, ser. E confiar em Deus.

Porque houve um dia, que ninguém viu, mas Ele cochichou no teu ouvido.
E te deu a idéia de ser pai e construir uma família. Montar uma fortaleza ao seu redor e protegê-la com todas as tuas crenças.
Prometeu te ajudar e ajuda até hoje, em silêncio, a manter o bem mais precioso, que é viver.

E você vive em mim, vive em nós e vive em si com a grandeza de um homem regido por Deus.
Com a mesma fortaleza, a mesma vontade, o mesmo dom de amar.
E eu te amo pai. Com a mesma força e intensidade que herdei.
Aquela que vai me guiar pra sempre. Pra eu sempre seguir o teu nome.
Feliz Aniversário com o maior carinho do mundo.

Daquela que sempre vai escalar os teus muros e acreditar em ti."



(Eu falei pra vocês que não iria me render)..



ps¹: fui bem eu a fotógrafa da gaivotinha. :)

Domingo, Maio 14, 2006





A minha mãe.


* A minha mãe coloca o possível no impossível.
Coloca o predicado no sujeito, e ainda pergunta se o sujeito tá com fome.

*A minha mãe tem uma fábrica de guarda-chuvas e outra de agasalhos.
Fez convênio com o INPE e prevê o tempo antes mesmo do satélite.

* A minha mãe daria aulas de bom senso e caráter pra homens grandes. Sem cerimônia, usaria o chinelo e os botaria de castigo.
Os problemas do mundo acabariam e ela diria que não sabe de quem é a culpa.

* A minha mãe acerta tudo. Tiraria o emprego de qualquer serviço de adivinhação.
Só não ganhou na mega-sena ainda porque sabe bem que ainda tem gente que precisa mais.

* A minha mãe fica triste quando a gente não vai à missa.
Mas ajoelha, agradece e pede de coração aberto. Não por ela, por nós.

* A minha minha mãe é PhD em ciências humanas e sabe mais da vida do que eu penso.
Ela sabe mais do que eu sobre o que eu penso. E faz questão de mostrar que isso pode ser bom.

* A minha mãe tem o otimismo da Pollyana, a fé do padre, a paciência do Buda.
Ela tem a calma de que você precisa pra terminar de ler esse texto.

* A minha mãe inventou o abraço, inventou o colinho, inventou a sensação de voltar pra casa e dizer "oi mãe".
Modesta, disse que foi Deus. Mas eu sei bem da verdade.

* A minha mãe ainda tá com o mesmo coração desde que tinha cinco anos.
Ela só faz mal às formigas que comem o bolo dela. A mais nada.

* A minha mãe me ensinou a saber me virar com uma só cor na caixa de lápis.
Se Deus fez o céu e o mar só com o azul...

* A minha mãe teve que usar o chinelo pra me fazer entender que o caminho já tá feito.
Aprendi com ela que a gente é que adiciona as curvas (e que as consequências podem doer).

* A minha mãe me faz querer ser o melhor que eu puder em qualquer situação.
Ela me faz querer e achar que posso. E isso é o início de tudo.

* A minha mãe foi melhor amiga de Freud. Passeou com Einstein, Jantou com a Ave Maria, assistiu aos Sermões de Jesus Cristo de camarote e liga pro Papa toda semana. Sim, o Dalai Lama estava aqui mês passado.
Eu não conheço outra explicação.

* A minha mãe tem a força de um touro e a feminilidade da bailarina. Ela sabe muito ser mulher.
Eu também não entendo como ela consegue isso, mas tento (da forma mais amadora possível) imitar.

* A minha mãe me ensinou a perdoar, a não ser orgulhosa, a acreditar em mim.
A me amar ela não ensinou porque pensou que o amor dela preencheria tudo. E preenche.

* A minha mãe me faz encarar como "normal" o fato de viver um milagre.
Em dias como hoje, eu olho pra minha família e esqueço de como fazer isso.

* A minha mãe me mostrou que o amor é eterno.
E mesmo assim tem compaixão com os que ainda não sabe o sentido da vida...

* A minha mãe provou pros cientistas que anjos existem.
Que o amor cura, que a verdade facilita as coisas, que a gente pode voar.


Eu, sempre muito obediente,
Voei. :)









Te amo demais, mãe. Obrigada por embalar meu universo com o mesmo amor de sempre. Obrigada por manter todas as estrelas dele acesas.
A minha fé no nosso amor não tem fim.

A minha mãe é linda.
A minha mãe é tudo.


Qualquer conclusão boa que resolverem tirar de mim, eu explico: a culpa é dela. Eu só imitei.


Segunda-feira, Maio 08, 2006




Não hoje.


Eu tô meio pensativa
Meio desrespeitosa da vida
Meio cansada, meio esquecida
Eu tô me sentindo aquela mola encolhida.

Me sentindo um tanto
Jogada num canto
Perdida, e portanto
Vítima de um desencanto

Que eu mesma criei
A mesma autora das histórias
As que eu mesma inventei
Sobre essa menina de memórias

Eu tô meio jogada
Acho que não sirvo pra nada
E, se sirvo, hoje tô parada
Mentira, não parei nada.

Só dei um tempo com essa coisa de otimismo
Deixei de lado a porcaria do eufemismo
Que de tanto encher minha vida de ismo
Sem querer me jogou de um abismo.

E, aqui estou eu, perdida nos planos
Jogando pensamentos num certo futuro
Quem sabe, depois de tantos enganos
Eu só caia se for de maduro.

Tô bem, só tô meio de lado
Acredito, só tô meio fechada
Talvez esse cansaço justifique tudo
Porque hoje o tudo não justifica nada.







Auto-estima nota 10, heim :/ . Vai passar (ou não).
Sabe, a velha pergunta do "o que vc vai ser quando crescer" engordou e hoje pesa duas toneladas.
Uma em cada ombro.
A pré-publicitária aqui tem uns estágios pingados, vontade de sobra e um blog.
Aiai, só acreditando muito em Deus mesmo, tá louco.
Tô mendigando estágio, aliás. As almas benevolentes e caridosas, entrem em contato.


:(


ps: Lucas, te amo. :)

Sexta-feira, Maio 05, 2006



Ô boneca: máscara, pra mim, é rímel! :)




Eu não me preocupo com as maneiras que tu buscas pra te realizar.
Se preferes roubar no bingo, administrar o tráfico, participar da máfia, fazer malabarismo com seus truques diversos... Realmente não me incomoda.
Contanto que respeites bem essa linha demarcada.
Essa mesma, meu território. Faça teu circo, mostre tuas mágicas. Aí, do lado que é seu.

Agora, dê um passo pra trás.
Me poupe de assistir o espetáculo. Tanto as apresentações quanto as quedas já foram muito bem analisadas.
Resta agora uma platéia desinteressada e dispersa. E um lugar sobrando.
Quem sabe se as atrações fossem outras, quem sabe se a mesmisse não envolvesse qualquer movimento teu.
Quem sabe eu ainda estaria ali, tentando encontrar alguma graça.

As mesmas que me fizeram um dia pensar que... ah, deixa pra lá.
Pessoas mudam, todo mundo avisou. De repente, há mesmo algo de muito interessante em forjar uma nova e surpreendente personalidade. Só não espere envolvimento.
Nem dependência. O alarme, qualquer dia desses, soaria.
Ninguém é obrigado a conviver com aquela etiqueta pinicando nas costas. Sabemos que qualquer incômodo irrita.
Passe a tesoura pra cá.

Convives hoje numa feira de gritarias, onde a sua bagunça só se confunde com a dos outros.
Não importa se "se adequar" era a intenção. Importa que não foi numa feira como essa onde eu construí os meus valores.
E cada um deles, só reforça aqui o quanto essa capa protetora que usas é descartável. Superficial, fútil, tão óbvia pra quem consegue ver o que ainda restou de verdade em ti.
Tente não falsificar o produto na próxima vez, começando por você. Quem sabe a assistência técnica te concede uns reparos e eu te dedico mais uma leitura do teu manual de instruções.







Dupla personalidade, com consequências benéficas ou não, é caso de internação. Parece coisa dos 12/13 anos, onde ninguém sabe direito o que é.
Daí a gente inventa. Uns partem pro cigarrinho na mão, outras por um estilo mais diversificado. É bobinho, normal. Eu mesma optei por continuar brega mesmo. Tive lá minhas amigas pilantras que faziam coisas "loooucas" como matar aula, fumar maconha, pintar o cabelo de vermelho. Tá tudo bem, eu (mesmo meio chocada - ganhei da Sandy, será?) respeitei. Respeito a gente deve a todo mundo.

Mas e quando a criatura cresce e o complexo de Jim Carrey continua? Gente, só ator internacional mesmo, pra manter uma máscara sem deixar pistas. Se no começo todos são solidários e entendem a sua "dupla-face" como carência e necessidade de auto-afirmação, depois de algum tempo, é sorte se houver uma mãe solidária que se preocupe em ajudar.

Moçoilas, percepção e bom senso é que nem boteco: a gente acha em qualquer esquina. Quem ganha o desafio de se dar bem do jeito que se é mesmo, ganha e com méritos. O negócio é saber fazer.

Fantasias, só por carnaval, ok? A não ser que prefiras a de caipira, agora pra junho. Pelo menos ficava bonitinha e não decepcionava ninguém :)

Quarta-feira, Maio 03, 2006





Porque eu não vou me render.


Eu notei que consigo mesmo guardar coisas aqui.
Hermeticamente fechadas, num lacre inviolável.
Guardadas num lugar em que a mais crua realidade não envelheceria.
O tempo não encosta. Não na minha caixinha de memórias.
E só eu determino quem entra. Só eu sei o que fica.
Mas não sou eu quem controla o que vem. Nem fui em quem criou uma referência.
"O mínimo de sentimento necessário para se entrar é.." impossível de saber.
Impotente, eu brinco de colecionar lembranças. As boas, sem dúvida.
Juntando cada ponto colorido escondido nessa paisagem cinza, eu crio um antídoto pro tempo. Eu prendo os ponteiros.

Eu já sei bem que é efêmero. Sei bem que tudo passa. Tenho marcada à ferro uma experiência turbulenta.
Tenho o meu passado aqui como malas prontas. Como um refúgio. Como um consolo por já saber o que fazer quando tudo cair.
Numa situação perfeita, a mais cruel das torturas é esse medo do fracasso.
Não vai acontecer de novo.

Eu sei que é volúvel. Assim como o tempo, assim como tudo. Assim como o que já foi.
Mas não como o que vai ficar.
Dentro de mim algumas coisas são eternas.
E ali, o meu "pra sempre" existe.
O intenso, a marca, os fins, os começos. Tudo vira eterno. A cor não perderá o tom se for exposta.
E nessa caixinha eu mantenho a minha fé no impossível. Naquilo que te dizem que você não é capaz de segurar.
Eu mostro pra você, todos os dias, que é real.
Que não importa quanto vento o tempo leve. Dentro de mim, ele só me leva pra onde eu quiser.

Não importa o tanto que a realidade possa confundir.
Eu guardo tudo aqui num calendário de um dia só, com uma só estação.
E respiro aliviada, por ter o meu recurso. A minha arma contra o acaso.

Coisas boas também podem deixar cicatrizes.









Enquanto tudo segue bem, eu sigo engordando a barriga e muito resmungona. Boto Dercy Gonçalves no chinelo quando tá frio. Detesto. Já disse que o inverno não tem fogo, tem gelo?
Tô indo trabalhar hoje à noite na "Feira da Esperança", no CentroSul aqui em Fpolis. Vou vender chocolate, vulgo "me torturar por cinco horas".
Se encontrarem uma bochechuda de aventalzinho, com cara de "me dá um?", sou eu.
Boa noite pra vocês. E obrigada mesmo a quem anda lendo essas palavrinhas doidas aqui. :*



"What you won't do (do for love)?
You tried everything, but you don't give up"

(2pac)